21 Setembro 2005
ENTREVISTA: LIA DE ITAMARACÁ
Com foi o seu contato com a ciranda, a senhora aprendeu a cantar com alguém?
Isso foi um dom que Deus me deu. Meu sonho sempre foi cantar ciranda.
E o que é a Ilha de Itamaracá? É o seu mundo, é a sua casa, o que significa a
Ilha pra senhora?
É o lugar onde nasci, me criei, lá me sinto muito feliz com todos. E acho a ilha muito bonita, a praia linda.
Existe uma preocupação em preservar a tradição da ciranda, algum centro
cultural, alguém se preocupa em levar adiante essa tradição? Ou a tradição está
enfraquecendo, acabando?
Não acaba, não. Em Itamaracá, se eu morrer, a ciranda acaba. Mas no Recife tem muito cirandeiro. E cada um com mais coisas bonitas do que o outro. Mas, coitados, tá tudo muito parado, por falta de incentivo cultural. Com tanta coisa boa, e esse povo não enxerga isso... deixar isso se acabar aos poucos. Só eu que tomo coragem, sou muito guerreira. Porque se fosse dar moleza, já viu, né?
Porque que a senhora. acha que a mídia não dá o devido espaço pra cultura popular?
Não sei. Eu não entendo o lado deles. Sei que a gente tem muito o que dar. E tem mesmo! Então é juntar essas pessoas que fazem a cultura do povo e fazer registro, gravar as músicas, incentivar essa gente, porque essa gente é muito boa.
O que a gente viu hoje aqui no teatro foi uma grande celebração da música, da dança e da alegria entre os artistas e o público.
É verdade. A gente sempre traz a música, a dança e toda a alegria. Eu gostei muito.
As rádios divulgam a sua música?
Divulgam, mas nem tanto.
E tem jabá?
Jabá, dinheiro? A mim nunca pediram jabá, não. Mas é porque eles me conhecem, sabem com quem tão lidando, que eu não sou besta. Vou bater prego sem estopa! Eles nem vêm falar disso pra mim.
Quando a gente ouve as suas composições tem a impressão de que a senhora compõe as cirandas, cocos, maracatus, na beira da praia. Como é que a senhora compõe?
É sim, é na beira da praia. Me inspiro é nas ondas do mar!
A senhora chegou a estudar música formalmente, participando de alguma escola de música ou canto em algum momento da sua vida?
Não. A minha escola é minha mente, minha inspiração, meu talento e Deus.
E a senhora já cantou em coro de igreja?
Não.
Mas a senhora é religiosa?
Sou católica apostólica romana.
Qual foi a primeira composição que a senhora fez, a mais marcante?
A ciranda registrada mesmo foi “Quem me deu foi Lia”, fiz ela lá nos meus 18/19 anos. E a Teca Calazans gravou em 1962. Essa é minha marca mesmo. Outra que me marca muito é “Eu sou Lia”.
E essa ciranda, “Quem me deu foi Lia”, é um tipo de música muito antiga, tem um jeito ancestral, né?
É sim.
A senhora conheceu o Hermínio Bello de Carvalho? (É dele um dos textos que vem no encarte do seu cd “Eu sou Lia”). Vocês fizeram alguma parceria, tem alguma música gravada?
Ainda não fiz nenhuma parceria com ele. Mas gostaria muito. Ele é muito bom, é maravilhoso aquele homem. Qualquer hora que tiver chance de fazer parceria com ele eu tô de pé e com a garganta afiada.
A senhora ainda continua trabalhando como merendeira numa escola pública lá na ilha? Que plano a senhora tem pro futuro, vai sair outro cd, como anda a sua carreira musical?
Trabalho como merendeira sim, já faz vinte e poucos anos. E temos um grupo de ritmo lá na ilha. Tô preparando o meu 2º cd agora. Tem 44 anos que canto ciranda, já tô com 61 anos de idade. Sou feliz fazendo minhas músicas, vivendo na praia, graças a Deus.
Isso foi um dom que Deus me deu. Meu sonho sempre foi cantar ciranda.
E o que é a Ilha de Itamaracá? É o seu mundo, é a sua casa, o que significa a
Ilha pra senhora?
É o lugar onde nasci, me criei, lá me sinto muito feliz com todos. E acho a ilha muito bonita, a praia linda.
Existe uma preocupação em preservar a tradição da ciranda, algum centro
cultural, alguém se preocupa em levar adiante essa tradição? Ou a tradição está
enfraquecendo, acabando?
Não acaba, não. Em Itamaracá, se eu morrer, a ciranda acaba. Mas no Recife tem muito cirandeiro. E cada um com mais coisas bonitas do que o outro. Mas, coitados, tá tudo muito parado, por falta de incentivo cultural. Com tanta coisa boa, e esse povo não enxerga isso... deixar isso se acabar aos poucos. Só eu que tomo coragem, sou muito guerreira. Porque se fosse dar moleza, já viu, né?
Porque que a senhora. acha que a mídia não dá o devido espaço pra cultura popular?
Não sei. Eu não entendo o lado deles. Sei que a gente tem muito o que dar. E tem mesmo! Então é juntar essas pessoas que fazem a cultura do povo e fazer registro, gravar as músicas, incentivar essa gente, porque essa gente é muito boa.
O que a gente viu hoje aqui no teatro foi uma grande celebração da música, da dança e da alegria entre os artistas e o público.
É verdade. A gente sempre traz a música, a dança e toda a alegria. Eu gostei muito.
As rádios divulgam a sua música?
Divulgam, mas nem tanto.
E tem jabá?
Jabá, dinheiro? A mim nunca pediram jabá, não. Mas é porque eles me conhecem, sabem com quem tão lidando, que eu não sou besta. Vou bater prego sem estopa! Eles nem vêm falar disso pra mim.
Quando a gente ouve as suas composições tem a impressão de que a senhora compõe as cirandas, cocos, maracatus, na beira da praia. Como é que a senhora compõe?
É sim, é na beira da praia. Me inspiro é nas ondas do mar!
A senhora chegou a estudar música formalmente, participando de alguma escola de música ou canto em algum momento da sua vida?
Não. A minha escola é minha mente, minha inspiração, meu talento e Deus.
E a senhora já cantou em coro de igreja?
Não.
Mas a senhora é religiosa?
Sou católica apostólica romana.
Qual foi a primeira composição que a senhora fez, a mais marcante?
A ciranda registrada mesmo foi “Quem me deu foi Lia”, fiz ela lá nos meus 18/19 anos. E a Teca Calazans gravou em 1962. Essa é minha marca mesmo. Outra que me marca muito é “Eu sou Lia”.
E essa ciranda, “Quem me deu foi Lia”, é um tipo de música muito antiga, tem um jeito ancestral, né?
É sim.
A senhora conheceu o Hermínio Bello de Carvalho? (É dele um dos textos que vem no encarte do seu cd “Eu sou Lia”). Vocês fizeram alguma parceria, tem alguma música gravada?
Ainda não fiz nenhuma parceria com ele. Mas gostaria muito. Ele é muito bom, é maravilhoso aquele homem. Qualquer hora que tiver chance de fazer parceria com ele eu tô de pé e com a garganta afiada.
A senhora ainda continua trabalhando como merendeira numa escola pública lá na ilha? Que plano a senhora tem pro futuro, vai sair outro cd, como anda a sua carreira musical?
Trabalho como merendeira sim, já faz vinte e poucos anos. E temos um grupo de ritmo lá na ilha. Tô preparando o meu 2º cd agora. Tem 44 anos que canto ciranda, já tô com 61 anos de idade. Sou feliz fazendo minhas músicas, vivendo na praia, graças a Deus.